As bruxas de Discworld
The Three Witches from Macbeth; Double, Double, Toil and Trouble (1781) Mary Hoare (English, 1753-1820)
Há algum tempo tenho me dedicado a ler a série Discworld, do Terry Pratchett. Essa série é imensa, tem mais de 40 livros e compõem um gênero muito específico, a fantasia cômica. Repleto dos mais diversos personagens e suas aventuras mirabolantes, a leitura das histórias do Disco mostra que temas extremamente sérios podem ser tratados com humor.
E que não há limite para o quão absurda uma situação possa ficar.
Dentro da série, o autor criou minisséries, que permitem a leitura dos livros em diversas ordens: cronológica, por tema, por personagem, ou ainda, os livros únicos. Todas as histórias acontecem nesse universo e de vez em quando os personagens de histórias diferentes acabam se encontrando durante um novo evento.
Uma das minisséries que eu mais gosto acompanha as aventuras de duas bruxas, Tia Ogg e Vovó Weatherwax. A elegância na forma como o poder e a magia dessas personagens são apresentados é tão sutil que eu não consigo largar a leitura.
Embora a comicidade permeie todas as páginas dessas histórias, o autor traz uma profundidade imensa na maneira como aborda certos temas. É um tipo de leitura que diverte, mas também ensina e faz pensar. Me agradou muito mais do que a famosa série escrita por Douglas Adams. Pratchett avança como escritor e também como questionador conforme vai aprimorando sua técnica.
Mas, voltando às bruxas, o primeiro livro dessa série dentro das histórias de Discworld é o Equal Rites, que foi traduzido como Direitos Iguais, Rituais Iguais.
Eu adoro o título original, pois engloba tanto um jogo de palavras como as intenções do autor com essa história. “Rites”, que significa “ritos”, tem uma sonoridade parecida com “rights” que seria “direitos”.
Nesse livro o autor decidiu explorar alguns costumes e crenças replicados como regras que diferenciam pessoas e gêneros e leva a própria história contada a questionar o que é aceito como “normal”.
A partir disso, a história acompanha Esk, uma menina que recebeu poderes de um mago e deveria estudar para desenvolver as habilidades mágicas, porém apenas magos homens poderiam ter esse tipo específico de magia, logo, mulheres não podem ser magas.
Mulheres possuem um tipo de magia diferente, que as torna bruxas.
A história da jovem Esk terminaria por aí não fosse a existência de uma tal Vovó Weatherwax. Uma bruxa poderosa e um tanto reclusa, pois não tem paciência com as pessoas.
Esme, ou Vovó Weatherwax, decide que a menina não pode ficar sem receber o básico de treinamento e acompanha Esk até a Universidade Invisível, onde apenas rapazes estudam. Vovó Weatherwax poderia ensinar tudo o que sabe para a menina? Não, pois Vovó Weatherwax é uma bruxa e Esk uma maga. Magias diferentes requerem estudos diferentes.
A partir daí, vemos os magos da universidade apanhando verbalmente sempre que Weatherwax os confronta, pois embora eles se considerem superiores, mais inteligentes e racionais, é Vovó quem mostra essas características através de suas ações.
A busca por direitos iguais transpassa várias histórias de Discworld, levando seus personagens a enxergar o outro como parte importante do universo para além de preconceitos e convenções.
Embora poucos livros da série tenham tradução para o português, deixo aqui a recomendação dessa literatura que aborda os temas mais variados da maneira mais absurda e racional. É um tipo de leitura que diverte e faz pensar, através de personagens como a Morte, deuses ou um bibliotecário transformado em orangotango (que prefere continuar nessa forma, muito obrigado!).
Conflitos se desenrolam de maneira mirabolante, com desfechos ao mesmo tempo inevitáveis e inesperados, mas a certeza é que tudo faz sentido nesse mundo que é um disco em cima de quatro elefantes que andam em círculo em cima de uma tartaruga que desliza no espaço.
Indicações da edição:
· Quando as bruxas viajam – Terry Pratchett (Sinopse: Essa é apenas a primeira trapalhada de Direitos Iguais, Rituais Iguais, que lança a garota Esk na complicada aventura de juntar a magia da natureza, a força da Terra, que as mulheres trazem em si, com as forças cósmicas que os grandes magos invocam... Para ajudá-la entra em cena a Vovó Cera do Tempo, uma bruxa cheia de feitiços e de poderes animais, que tenta driblar os preconceitos e levar a menina à Universidade Invisível - onde, por tradição, só estudam rapazes ).
· Crônicas de Cinzas, Fagulha - Paulo Bayer (Rubira é um reino próspero e pacífico. Seu povo vive em meio ao luxo. As ruas são seguras e belas. A vida é pacata. O sol brilha mais forte do que em qualquer outro lugar e não há um único indivíduo que não seja grato aos seus sábios governantes, que compõem o Conselho. Ao menos, é isso que os livros de história contam. O que eles não dizem é como o Grande Incêndio devastou a cidade há mais de quinze invernos, consumindo muitas vidas com suas chamas vorazes e destruindo o futuro de inúmeras outras. Os livros também não falam a respeito das aterrorizantes bestas lupinas, chamadas escarlates, que vagam pelas florestas e são uma ameaça a qualquer um. Não mostram como, junto à Igreja, o Conselho controla a população com mão de ferro e oprime espécies inteiras. Em meio a este cenário, a vida de Daniel se transforma por completo quando seu pai desaparece após um ataque de escarlates. Com a irmã, ele parte em busca de pistas enquanto tem cada vez mais certeza de que os outros sempre estiveram certos a seu respeito: ele é, sem sombra de dúvida, o Filho do Demônio.)
Acompanhe o autor: Paulo Bayer
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A próxima edição também vai explorar o tema Bruxas, aguardem.
Obrigada e até mais.



40 livros me pegou demais! ahahaha